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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Viver o grande milagre

O muro ficou velho, gretado pelo tempo.
A hera invadiu-lhe as frestas, infiltrou-se até mesmo
nas aberturas necessárias ao arrimo.
Lagartas devoram as folhas tenras e macias.
E pássaros banqueteiam-se com as lagartas.
Estas não transformar-se-ão.
Outras tiveram o tempo a seu favor e borboleteiam,
serpenteando com o vento.
Uma brisa macia abraça a todos
com um calor morno de mãe.
Ah! Que bom seria se tomássemos como exemplo
de convivência tudo que ocorre neste velho muro!
E nos aprofundássemos em nossas relações,
com a mesma naturalidade
com que um ser serve ao outro, na natureza.
Não há cobranças, sequer valores,
nem ao menos expectativas.
Tudo assim transcorre porque
não poderia ser diferente.
Ah, como seria bom
se abandonássemos as nossas esperas...
A espera de mudanças em nossas vidas, a espera
de retribuições e de recompensas.
Viveríamos pelo ato de viver e,
só isso, já seria um grande milagre.
Utilizaríamos o nosso raciocínio para compreender
melhor as coisas, quais os seus mecanismos, e não para fundamentar
nossas críticas e julgamentos.
Será possível?
Policie-se.
Seja rigoroso consigo mesmo cada vez que
você emitir uma opinião a respeito de alguém,
ou sobre algum fato de que tenhas tido notícia.
Pense muito bem se você não está tornando-se
um prisioneiro dos seus próprios pensamentos.
Se não está enredando-se numa teia de argumentos,
da qual você mesmo terá dificuldades em sair,
por não suportar que vejam a sua grande incoerência.
Veja se os olhos dos outros
não estão se tornando os seus próprios olhos,
a espionarem as profundezas da sua própria alma.
E, de tanto você temer ser descoberto enreda-se
ainda mais, tecendo conclusões a respeito
da vida, filosofando sobre o que,
nem ao menos, você quer ver.
Procure ser autêntico, mesmo que isso
o torne antipático aos olhares da maioria.
Aos poucos, todas estas coisas perderão o sentido.
E você se sentirá como uma borboleta,
ou como uma lagarta.
Ambas não se negam em servir de alimento,
guiando-se unicamente pelo
parâmetro que têm de si mesmas.

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