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quarta-feira, 2 de abril de 2008

O aborto

Não sei porque, eu só sinto vontade de gritar
e pular dentro de seu ventre e mamãe só sente vontade de chorar.
Não sei porque, mamãe não me quer,
se eu não tenho nada contra ela, eu a amo.
Eu acho que agora já sei o porque,
eu ouvi bem quando mamãe disse ao papai,:
"É hoje o aborto." E papai respondeu: "Que bom!
Hoje vamos nos ver livres desse problema!"
Pudera eu ouvir o som de sua voz e não entender
o significado de suas palavras.
Como eu queria nascer, como eu queria te chamar de mãe,
adormecer aos seus braços e ouvi-la cantar até que eu adormecesse.
Mas não me deixaram se quer ter o direito de escolher.
Eu quero viver, eu quero falar, eu quero pular, eu quero amar;
por isso não me matem agora, nem nunca, eu quero viver!
Sinto que cada vez mais é chegada a hora,
como um espinho eu serei arrancado fora.
Mamãe não me entendeu,
e lá estava ela naquele consultório que mais parecia um açougue.
E eu só de saber de sua atitude, dentro de seu ventre,
eu já vou me encolhendo e morrendo pouco a pouco.
Me lembro bem do médico, que com uma só mão
me arrancou como um espinho de dentro
daquela que pensei em chamar de mãe.
Esse médico aborteiro, tinha um aspecto estrangeiro
e um olhar frio de quem nunca tivera mãe.
Pudera eu ter brotado em outro ventre,
em outro jardim que não fosse o seu,
mas quis Deus, sei lá porque, que eu brotasse somente em ti.
Como eu queria nascer!
Meu espírito permaneceu por muito tempo no local,
observando a mediocridade humana.
Tive que esperar algum tempo para voltar à Terra,
para terminar a minha missão que foi interrompida
estupidamente pela vontade dos homens.
Durante esse tempo, observei a vida daquela que pensei chamar
minha mãe e daquele que pensei chamar meu pai.
Desde que eles me deixaram naquele açougue,
Deus tirou-lhes o direito de serem pais.
Hoje eu renasci e sou um lindo menino, robusto e alegre,
e vocês nem imaginam a que família pertenço.
Sou o filho daquele médico aborteiro.
Como poderia imaginar que um dia eu voltaria
e justamente teria que amar e respeitar, chamar de pai,
um homem que um dia me matou.
E pensar que de mim ele só 'terá orgulho!
Como os desígnios de Deus são tão misteriosos,
só Deus pode explicá-los.

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